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A conquista de uma equipe, mérito dado a um só, e uma lição de humildade: temos o campeão da Champions 2016/2017.

Lá vem eles, com mais um título, mais uma orelhuda. Lá vem eles, o time mais vitorioso da história, superando os galácticos (é mesmo?), trazendo orgulho pra torcida. Lá vem eles, e nem tem mais graça jogar final da Champions contra eles: vocês já sabem o que virá. Lá vem o time violeta, que também é branco, é azul, é amarelo, é de todas as cores como a democracia do futebol. Lá vem eles, o time mais adorado e o mais odiado da história do futebol. Você sabe contar até doze? É a quantidade de vezes que o Real Madrid conquistou a Europa.

Queria eu estar aqui tecendo inúmeros elogios à Velha Senhora Juventus, dizendo que ela conseguiu conquistar seu terceiro título europeu. A Senhora de 120 anos que ganhou meu respeito, minha consideração e minha torcida (na Itália). É claro, uma campanha maravilhosa durante todo o campeonato, eu mesma não tirava da cabeça que seria Gianluigi Buffon que iria erguer aquela taça. Mas infelizmente, por um descuido do destino e uma grande ironia, eles encontraram pela frente Cristiano Ronaldo e companhia. Não. Não chamarei o Real Madrid desse jeito. Afinal, um time não é feito de apenas um jogador. “Ah, ele é o artilheiro, melhor do mundo, foda, pai, blablabla...” Eu já sei, cala a boquinha aí e me deixa terminar.

Realmente, Cristiano Ronaldo teve seus méritos. Mas é tão injusto endeusa-lo e esquecer a grande jogada de Modric, o chute de fora da área de Casemiro, a segurança na defesa (apesar do teatro absurdo e do erro grotesco da arbitragem que tirou toda a beleza da sua atuação) de Sergio Ramos, a agilidade e habilidade de Marcelo, as defesas de Keylor Navas, os passes seguros de Kroos, Carvajal, Isco, o gol do jovem Asensio... E tantos outros que trabalharam tanto pra conquistar a Europa. É claro que ele tem seus méritos, por favor, não quero tirar isso. Ele é o melhor atacante do mundo. Não, não o melhor jogador do mundo porque Cristiano Ronaldo 7 não faz a função de lateral, volante, zagueiro e goleiro ao mesmo tempo. Sim, melhor atacante do mundo e nada mais. Mas isso é história pra outro dia.

Hoje quero dizer que nunca mais vocês me verão “brigar” para defender os jogadores do Real Madrid como uma equipe. Se os próprios torcedores do Real não dão o devido valor à equipe que tem e querem que ela seja relacionada a apenas um jogador, eu que não entrarei nesse âmbito novamente. Minhas respostas à partir de hoje serão “ok”, “beleza”, “você tá certo”.

Enfim. Quero deixar registrado que o placar não mostra o que foi o jogo. Os 45 minutos iniciais foram extremamente equilibrados, inclusive terminou em 1x1. Por que não falar do GOLAÇO de Mandzukic? Só porque o Real foi campeão não podemos esquecer dele. Quem foi que disse que ele tinha deixado de ser atacante? E quem disse que jogador alto não tem habilidade? Mandzukic foi consciente ao encobrir com uma meia bicicleta o goleiro Keylor Navas. Mandzukic nunca deixou de ser craque de bola, ele apenas fora esquecido. Espero que com esse belo gol ele seja lembrado como merece.

O que mudou o jogo não foram os considerados “principais”. Foram os “coadjuvantes” técnicos. Zidane mostrou toda sua competência. Já imagino ele dentro do vestiário chamando atenção do time, tanto um peteleco em cada um, abraçando-os como um pai e dizendo “vão lá, peguem a bola e mostrem o que sabem fazer. Porque vocês sabem.” Imagino Allegri dentro do vestiário fazendo o mesmo, porém trocando o posicionamento dos jogadores em campo. Estava tudo dando certo no primeiro tempo, até Allegri recuar o time, colocar Daniel Alves para jogar mais no meio-campo que na lateral, chamar o Real Madrid para o seu campo. Resultado: dê a bola para eles e serão massacrados. Final: Juve 1x4 Real Madrid. La Duodecima.

A grande campanha da Velha Senhora foi sufocada por 45 minutos. Juventus levou a mesma quantidade de gols em 45 minutos do que no campeonato inteiro! Entretanto, La Vecchia Senhora merece seu respeito, assim como todos os jogadores que entraram em campo em Cardiff. Não podemos nos esquecer de Chiellini, Barzagli e Bonucci, os xerifes da zaga mais consistente do mundo. Não podemos nos esquecer de Daniel Alves e Alex Sandro, nossos compatriotas que tão bem se encaixaram no regime italiano. Não podemos nos esquecer de Pjanic e Khedira, nem mesmo de Cuadrado que só entrou para ver a cena de Sergio Ramos. Não podemos nos esquecer de Mandzukic, Higuaín (apesar de não ser lá essas coisas) e Dybala (apelidado carinhosamente por mim de Dybaby), este último sendo a grande promessa da Juventus e da seleção Argentina. Não podemos nos esquecer de Gianluigi Buffon segurando suas lágrimas ao perceber que ser o melhor goleiro do mundo não é suficiente, é preciso mais dez e um grande líder estrategista do lado de fora do campo.

Esse foi o grande diferencial do Real Madrid. Um grande elenco conduzido por um grande maestro. Zidane, Real Madrid, não que faça diferença, esse texto nunca chegará a vocês mesmo, mas vocês conquistaram uma admiradora. Pela qualidade da equipe, pela organização, pela tática, pela disciplina. Parabéns pelo campeonato.

No final do jogo, Zidane nos deixou uma lição. Ele foi questionado: “Zidane, você é o melhor do mundo?” Com veemência ele respondeu: Não. Não, não e não. Pelo grande jogador que foi, pelo grande técnico que vem nos mostrando ser, ele ainda guarda dentro de si uma das maiores qualidades da humanidade, infelizmente pouco vemos no futebol e quando vemos são criticados (exemplo de Rodrigo Caio, criticado pelo próprio treinador e por sua torcida). Esse será, talvez, o adjetivo que pode salvar a humanidade: a humildade

A Champions se despede e a saudade fica. Ah, Champions... Volte logo. Volte com seus gols maravilhosos, as jogadas desequilibrantes, as zebras, os favoritos, os melhores. Ah, Champions... Volte logo para nos mostrar que não é só futebol, são pelo menos um bilhão de corações pulsando ao mesmo tempo, são torcedores unidos pelo mundo todo. Ah, Champions... Volte logo... Você já deixou saudades.

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