Atlético de Madrid, Juventus, Monaco e Real Madrid.Temos, finalmente,
os quatro semifinalistas da UEFA Champions League, os quatro melhores times da
Europa. Sobre estas quartas-de-final, tenho alguns pontos a comentar sobre os
jogos.
Começaremos por Monaco x Borussia Dortmund. No jogo de ida, o Borussia
até que tentou, lutou bravamente, mas não conseguiu segurar a grande promessa
do time francês: Mbappe, gravem esse nome, ele provavelmente fará gols conta o
seu time. É claro que não foi só a atuação da jovem promessa que foi inquestionável.
Durante todos os 180 minutos, contando jogos de ida e volta, o Monaco foi
disciplinar e disciplinou o Borussia, que só pôde contar com seu melhor
jogador, Reus, no segundo jogo, quando já era tarde demais para reverter o
placar imposto no primeiro jogo. Nos últimos 90 minutos, tudo que o Monaco teve
que fazer foi controlar o jogo e aproveitar as chances que teve, sendo o placar
3x1 e, no agregado, 6x3, fim do sonho da Champions para a torcida da Muralha
Amarela e seus jogadores.
Continuando, não tenho muito o que falar sobre Barcelona x Juventus,
principalmente se você leu a resenha anterior que comentava sobre este jogo. A
velha senhora, intransponível, levou apenas dois gols durante todo o
campeonato, não sofreu nem perigo no jogo de volta, no Camp Nou, provando que
ser defensivo nem sempre quer dizer que não é eficiente. Pelo contrário. Ela se
impôs, deu trabalho e aniquilou o tão falado trio MSN. O Barcelona novamente
esteve abaixo do previsto e foi eliminado da Champions pela terceira vez nos
últimos quatro anos na fase de mata-mata, provando que a hegemonia acabou e que
eles tem grandes problemas a resolverem, principalmente na defesa. “Alô
presidente, esqueceu de pagar o trio de arbitragem?” Polêmicas e brincadeiras à
parte, sobra para esta temporada a Copa do Rei e o Campeonato Espanhol se o
Barcelona quiser comemorar algum título. E pra quem é torcedor da maravilhosa
equipe italiana, vencedora dos últimos cinco campeonatos nacionais, deve se
orgulhar. Por mais que há muito não estivesse nas últimas manchetes mundiais, a
Juventus provou que não está morta e confirmou o favoritismo ao avançar para as
semifinais. Está bem viva e não há quem me tire de idéia que Buffon aposentará se consagrando após erguer a orelhuda em Cardiff.
O terceiro jogo foi entre a surpresa da champions nessa
temporada x a surpresa da champions dos últimos anos. Há cinco anos ninguém
poderia imaginar que veríamos uma quarta-de-final entre Leicester (Who?) e
Atlético de Madrid (Who?²). Dois times que possuem basicamente uma mesma forma
de jogar: com o coração na ponta da chuteira. O Atléti fez a lição de casa,
vencendo por 1x0 no Vicente Calderón, com um pênalti polêmico marcado em cima
de Griezmann. Foi dentro ou fora da área? Confesso que eu, mesmo torcedora,
ainda tenho minhas dúvidas. Fora de casa, o time colchonero controlou o jogo,
saiu na frente com uma cabeçada de Saúl Niguez, levou empate e aguentou os
minutos restantes com a pressão dos Foxes, carimbando o passaporte para a
terceira semifinal dos últimos quatro anos, confirmando o favoritismo contra a
empolgação do estreante. E quem diria que o Atlético de Madrid se consolidaria
entre os quatro melhores times da Europa. Tomara que as surpresas não parem por
aí.
Falando em surpresa, a pior vem
nesse parágrafo. Olha, vai ser bem polêmico, principalmente se você for
torcedor do Real Madrid. Vejam bem, no primeiro jogo tudo correu bem, como
previsto. Bayern começou com tudo, colocando pressão, e o Real Madrid avançando
no contra-ataque. A equipe alemã abriu placar com uma cabeçada fatal de Vidal e
poderia ter ampliado a vantagem, caso convertesse o pênalti inexistente, porém
marcado. Não converteu e é aí que quero chegar: a bola pune. Vidal não balançou
a rede nesta oportunidade. No segundo tempo, as coisas mudaram. O time merengue
voltou com tudo e logo nos minutos iniciais da etapa final, empatou o confronto
com a quebra de jejum de Cristiano Ronaldo (a última vez que ele havia marcado
na Champions League foi no dia 27 de setembro, na segunda rodada da fase de
grupos, uma contagem de 659 minutos em campo sem marcar um golzinho sequer). E
o Real Madrid teve o jogo nas mãos após a expulsão de Martinez. Ampliou a
vantagem com outro gol de Cristiano Ronaldo, em uma falha grotesca de Neuer,
mas dou créditos a ele que salvou os alemães vezes incontáveis neste mesmo
jogo. Mas, o que eu quero mesmo relatar aqui foi a partida de volta. Em poucas
palavras quero demonstrar minha indignação. Errar uma vez, okay, mas três vezes
em um mesmo jogo? Só à favor de time espanhol mesmo. Mais uma vez tivemos erros
do trio de arbitragem, erros que podem ter custado caro para os bávaros.
Começando pela não expulsão de Casemiro e pela expulsão em um lance limpo de Vidal,
quando o jogo estava encaminhando para a prorrogação. O Bayern conseguiu
aplicar o mesmo placar do jogo de ida na casa do adversário com gols de
Lewandowski (o carrasco) e depois de uma lambança na zaga do real, com gol
contra de Sérgio Ramos. Cristiano Ronaldo descontou para o Real Madrid. E foi
na prorrogação que eu vi como erros grotescos podem ser fatais. Cristiano
Ronaldo marcou outros dois gols, Real Madrid fez 4x2 na prorrogação, mas os
dois gols do “todo poderoso” CR7 foram irregulares. O primeiro mais claro que o
segundo, mas ambos foram na cara do bandeirinha, que não marcou a
irregularidade. Quem sabe como seria o jogo se:
a) Tivessem
expulsado Casemiro;
b) Não
tivessem expulsado Vidal;
c) Os
dois gols no início da prorrogação fossem anulados;
Infelizmente, nunca saberemos.
Infelizmente, nunca saberemos.
O gol de Asensio foi lance normal, regular, mas foi o último conquistado
pelo time merengue, quando o Bayern já não tinha mais forças pra lutar contra o
homem a menos, o placar revés e uma arbitragem vagabunda. Mas, queridos,
lembrem-se do que eu disse ao relatar o pênalti errado que Vidal desperdiçou: a
bola pune. Assim como puniu o Barcelona, que contou com uma baita ajuda no jogo
de volta contra o PSG ainda nas oitavas e não conseguiu avançar diante da Juventus, o Real Madrid que abra os olhos. A
bola pode punir o time e impedi-lo de chegar à 12ª conquista da Europa, o que
eu realmente espero que aconteça.
Não é clubismo, absolutamente. Quem me conhece sabe para que time
torço e não tem nada a ver com isso. Tem a ver com justiça. E, torcedores do
Real, não comemorem antes do tempo. É só um conselho que dou.
Deixo aqui minha torcida aos meus dois mimos nessa Champions, meu time
maravilhoso e “eterno vice”, Atlético de Madrid, e meu mais novo xodó, a velha
senhora Juventus. Espero, de todo coração, que Cardiff receba vocês e que o
jogo seja limpo. Até lá, ainda temos 180 minutos de semifinais, 180 minutos
decisivos, 180 minutos que podem (ou não) me fazer engolir a língua. 180
minutos de bola rolando em um dos campeonatos mais polêmicos e emocionantes de
futebol.
Ah, Champions, você não sabe o quanto aguardo seu retorno em maio com
o clássico espanhol "revanche" x Mbappe, Dybala, Falcão García, Buffon e companhia. Venha,
Maio, traga bons ventos e ótimo futebol.
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