"Ou, bora ali, tá tendo jogo no campão!" Quem nunca ao menos ouviu falar dessa expressão, ou alguma similar, não pode dizer que gosta de futebol. Por quê? Simples. Porque é no campão da sua cidade que os grandes nomes do futebol são gerados. E foi no "campão" da minha cidade que eu pude acompanhar uma emocionante final de campeonato. Não foi Champions, Liberta, Série A... Não foi nem campeonato estadual, foi campeonato municipal. E não é por não ser conhecido que não precisamos dar os devidos méritos.
Teve gandula, trio de arbitragem oficial, banda da polícia militar tocando modão (nessa longa estrada da vida, vou correndo e não posso parar...), teve MPB e o hino nacional. E teve respeito ao hino, o que não vemos nos campeonatos profissionais. Mas essa parte é história pra outro dia. O que importa é que teve todo o necessário para uma digna final de campeonatoi, inclusive foi um jogão!
Era o "time da igreja" de azul e o time adversário de branco. Você sabe, nesse tipo de jogo os times não são conhecidos pelo nome, e sim pela cor da camisa. Inclusive eu ouvi na arquibancada a seguinte expressão: "eu tô torcendo pro time de azul, e você?" Eu também. E adivinha? O time azul venceu!
O primeiro tempo foi pegado, o time de branco ficava mais na defesa, mas quando ia pro ataque era quase fatal... Quase. Eles esperavam o empate, queriam pênaltis, e por isso o goleiro fazia cera, enrolava na reposição de bola. E aquele camisa 21, o que era aquilo? O cara era bom, desequilibrava, mentia também, cavava faltas inexistentes, mas isso faz parte do futebol. E o camisa 10 estava em todos os lugares do campo! Incrivel. O resumo da primeira parte do jogo: truncado, meio-campo congestionado, laterais livres porém nenhum time aproveitava. E foi pelas laterais, depois de um conselho da torcida, que os gols saíram.
No segundo tempo, após cruzamento da direita, Nilo, o camisa 9 do time azul, abriu caminho para a vitória do trem bala com um golaço de cabeça. Jogada pela lateral. E o segundo gol, que golaço, de cobertura, do cara que saiu do banco. Eu não sei o nome dele, mas sei que ele tem 39 anos e uma categoria invejável, da intermediária mais pra lateral direita também, ele encobriu o goleiro cerão e fez 2x0. O time branco não teve força pra reagir após a saída dos dois melhores jogadores (21 e 10), e o trem bala foi campeão.
Sabe o que é melhor? A resenha. A comemoração. O churras, a competição de videogame que veio depois, foi noite a fora.
Isso é campeonato de interior, é jogar de tarde e resenhar a noite. É conhecer todo mundo e tirar foto com a torcida. É destruir o alambrado que nem Ronaldo Fenômeno, é ter um volante que nem Casemiro, mas que usa a 5 e chama Fernando Antônio. É poder zoar sem se preocupar. É jogar por jogar, sem holofotes, sem câmeras, com pouco público, só pelo prazer de competir, e poder dizer que foi bicampeão do município, mesmo que esse município seja uma pequena cidade do interior de Goiás chamada Cristianópolis.
E se você não valoriza o futebol do seu município, passe a valorizar, a sensação é maravilhosa, eu te garanto.
Nota da autora: texto feito em homenagem a Thales Adriano, Hanns Bruno, James Williams, Léo, Leonardo Piriquito, Waguinho e seu sapo, Fernando "Casemiro", Nilo e todos que compõem o time da ICE, o querido "Trem Bala", parceiro.
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